A conversa sobre Assédio Moral é muito debatida, mas mesmo após discussões sobre o tema, as situações que geram tal Assédio são crescentes e frequentes.
As empresas lidam constantemente com tais apontamentos, fato comprovado pelas crescentes indenizações na justiça do trabalho.
O tema é tão importante e preocupante que o Tribunal Superior do Trabalho elaborou uma cartilha para prevenção ao assédio moral
Qual a história do assédio?
O que você pode fazer para evitar o Assédio? Quais as características?
Como você, enquanto gestor, pode atuar de forma a coibir esse comportamento em sua equipe?
Te convido a continuar essa leitura e pensarmos juntos sobre o tema.
Na atualidade, é cada vez mais comum termos presenciado uma situação de assédio moral, as relações sociais sofrem um profundo dano causado por uma história social.
Isso significa que de forma histórica o assédio moral junto a outras práticas foram utilizados para servidão, dominação e manutenção da territorialidade.
As relações empregatícias do passado beiravam a escravidão, empregados sem garantias mínimas, sem ambientes saudáveis, com horas infindáveis de jornada.
Quando olhamos para o passado, temos um misto entre orgulho das atuais conquistas e lamento pela necessidade de uma legislação garantir os direitos humanos, afinal, isso significa que sem uma norma não seria cumprido.
Isso nos faz refletir no agora.
Como é a tratativa em seu ambiente de trabalho?
Como os líderes estão atuando para prevenção destas práticas?
Assédio moral no local de trabalho compreende-se por toda e qualquer conduta abusiva manifestada, sobretudo, por comportamento, palavras, atos, gestos e escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa ou pôr em perigo seu emprego ou, em última análise degradar o ambiente de trabalho.
Isolamento no ambiente de trabalho, rigorosidade excessiva como pretexto, indiretas negativas sobre a vida pessoal da vítima, tratamento diferenciado (para a vítima só valem as regras, enquanto os demais possuem “liberdades” distintas).
Interpessoal: O assédio moral interpessoal é aquele que atinge diretamente a pessoa, sem uma finalidade clara da ação. Ele costuma ser praticado em função da arbitrariedade do gestor, podendo ser justificado pelo simples fato dele não simpatizar com o trabalhador sobre o qual está praticando o abuso.
Vertical descendente: Quando é praticado por um superior hierárquico que usa sua posição para assediar.
Horizontal: Quando é praticado entre colegas de mesma hierarquia.
Vertical ascendente: Quando parte de um grupo de subordinados assedia seu superior direto.
Lembre-se, o Assédio Moral causa nas vítimas fortes impactos emocionais, podendo alcançar doenças como Ansiedade, Depressão, Síndrome do Pânico e demais doenças psicológicas.
Então, não seja neutro!
Ao presenciar atitudes de assédio, não dê risada e não compactue com o agressor. Procure seu setor de RH a fim de denunciar o ocorrido.
É necessário exercer a empatia e estar à disposição da vítima caso ela precise de um suporte imediato ou de ajuda para relatar o ocorrido.
Os agressores psicológicos tentam diminuir a credibilidade da vítima, por vezes espalham rumores de que a pessoa reclama de qualquer “brincadeira”, ou seja, que tudo é um “mimimi”.
Não caia nessa! As emoções individuais devem ser respeitadas e as atitudes desrespeitosas cessadas.
Quais as responsabilidades dos gestores e líderes?
Os gestores e líderes possuem quatro grandes missões relacionadas à educação para erradicar o Assédio Moral.
Ponto de vista humano: não tolerar atos de assédio em sua equipe, não importa o “quão bom” o agressor é em suas demandas do dia a dia.
Não seja o agressor: de formar omissão ou ativa, não pratique o Assédio Moral. Não compactue com brincadeiras ou ofensas e sempre escute todos os envolvidos e testemunhas, logo em seguida tome uma atitude!
Ponto de vista trabalhista: as empresas respondem de forma direta sobre o assédio ocorrido em seu interior, e são muitas as ações de regresso onde a empresa busca responsabilizar os causadores de assédio (seja pela prática ativa ou permissividade).
Educação continuada: o tema sempre deve estar em pauta de treinamentos aos empregados, líderes e gestores, pois a melhor forma de enfrentar este problema é criar uma cultura empresarial forte e respeitosa.
As empresas precisam aplicar uma política de educação continuada, isso implica frequentes campanhas de prevenção ao Assédio Moral aliado à responsabilização dos causadores.
Ao pensarmos em educação continuada podemos utilizar o exemplo muito conhecido por todos nós: o uso de cinto de segurança. Como assim?
Ao pensarmos na época de nossos pais ou avós, é fácil notarmos que não havia obrigação de uso do dispositivo de segurança, mas com o passar do tempo e os crescentes acidentes que ceifaram tantas vidas, foi necessário reeducar toda uma população. Então, política educacionais foram criadas e a não utilização foi punida. Qual o resultado?
As novas gerações tratam com naturalidade o uso do cinto de segurança, sendo automático sua utilização. Esse exemplo traz à tona a importância do treinamento, responsabilização e desenvolvimento de um novo pensamento.
Assim, temos que para alterarmos os pensamento frente ao tema, é necessário desde já educar, treinar, responsabilizar e realizar estes atos de forma contínua.
Portanto, se você está à frente de uma empresa, poderá direcionar os esforços em conjunto com o time de Recursos Humanos a fim de criar uma cultura livre do assédio.
Mas, antes de terminarmos essa leitura, como está sua consciência sobre o tema? O que pode ser feito para mudar? Que treinamentos podem ser oferecidos e quem deve ser o foco?
Lembre-se, as perguntas movem nosso comportamento! Em caso de dúvidas sobre o tema, a DUPS resolve.
Dra. Ana Karina Schner
OAB/PR 101.092
Coordenadora do setor de Prevenção Trabalhista na Dups Advocacia